MULHERES NA LIDERANÇA
SONIA BARBOSA, ATIVISTA E LÍDER INDÍGENA DAS ALDEIAS DO JARAGUÁ - SÃO PAULO
A ATIVISTA INDÍGENA É PORTA-VOZ DE SEU POVO E LUTA PELA DEMARCAÇÃO DE TERRAS.OS GUARANIS PEDEM SOLUÇÃO DESDE 2013

Texto: Paula Gaia
Reportagem: Andrine Souza
Pesquisa: Adilson Cunha e Gabriel Mendes

Sonia Barbosa (Ara - Mirim) é ativista e faz parte da liderança da terra indígena Jaraguá, região metropolitana de São Paulo. Ela também é auxiliar de enfermagem e, na sua condição de líder, representa cerca de 800 indígenas.
Atualmente, a luta principal do Jaraguá, é pela demarcação das terras indígenas. Essa questão tornou-se um conflito a partir de 2013. De lá para cá, a comunidade dobrou o número de aldeias, chegando a seis atualmente, com 1,7 hectares demarcados.
Segundo as lideranças indígenas, o chamado marco histórico, que vigorou por décadas, já não é suficiente para proteger esses povos. E a MP 870/2019, pela qual o governo federal transferiu para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) a responsabilidade pela identificação, delimitação, reconhecimento e demarcação de terras indígenas (desautorizando a FUNAI - Fundação Nacional do Índio), fez crescer as ameaças e tornou-se mais um motivo de preocupação para os indígenas.
E a própria FUNAI, que antes era subordinada ao Ministério da Justiça, agora foi transferida para o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos.

De acordo com entidades ambientais e estudiosos do tema, o reconhecimento e a demarcação de terras indígenas é crucial para assegurar a existência desses territórios, porque quanto mais o governo federal tarda para demarcar uma área, mais ela fica vulnerável a invasões.
“Essa transferência de responsabilidade para o MAPA, mostra um perigoso conflito de interesses, pois a bancada ruralista não está preocupada em assegurar a existência de áreas protegidas, como terras indígenas e Unidades de Conservação. Mas isso é um tiro no pé, pois o agronegócio perde competitividade econômica se não proteger a floresta”, afirma Danicley Aguiar, da ONG internacional Greenpeace Brasil.
O texto constitucional diz que é obrigação da União proteger as terras indígenas. Portanto, a população indígena deve ser protegida e ter a cultura reconhecida, seu modo de vida, de produção, de reprodução da vida social e sua maneira de ver o mundo.

“Uma mulher extraordinária é quem luta pelos direitos da vida.”
Sonia Barbosa, Ara-Mirim
Ativista e Líder Indígena

Em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF), começou a julgar o Marco Temporal. A tese que defende que povos indígenas só podem reivindicar terras onde já estavam no dia 5 de outubro de 1988. De acordo com Portal do G1, a discussão põe ruralistas e povos originários em lados opostos. O governo Bolsonaro é favorável à tese. A decisão pode definir o rumo de mais de 300 processos de demarcação de terras indígenas que estão em aberto no país. Ainda em 2021, vários líderes indígenas acompanharam em frente ao Palácio do Governo em Brasília, incluindo representantes das aldeias do Jaraguá.
Na comunidade Guarani do Jaraguá, Sonia menciona que a vida dos índios é vivida como indígenas, prevalecendo a cultura, o sossego, o silêncio, a mata, os cantos, sem perder as tradições. A luta da ativista e líder Sonia Barbosa, permanece em defesa à demarcação de terras e respeito as aldeias.
“Hoje, nós somos mulheres que estão na frente de uma luta pela demarcação de terras, na luta por direitos, na luta contra a mineração, na luta por proteção à floresta. Somos uma equipe de mulheres à frente dessa luta”, afirma Sonia, e completa: “É extraordinário sim, sermos protagonistas da nossa própria história. Então, é o que nos fortalece cada dia mais.”
Sonia Barbosa faz parte da ANMIGAS - Articulação Nacional de Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade, além dela, Sonia Guajajara também participa da associação que coloca mulheres indígenas em posição de destaque frente a luta dos povos originários no Brasil.
Vale ressaltar que, recentemente, Sonia Guajajara foi indicada como uma das 100 pessoas mais influentes no mundo pela revista Times. A atual coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil pela Amazônia (Apib), a líder indígena Sonia Guajajara foi candidata a vice-presidente pelo PSOL em 2018, segundo o Portal do G1.
A liderança indígena no país ganhou força após o governo Bolsonaro com o avanço do desmatamento no Brasil. O desmatamento coloca em risco povos originários, além de agravar os conflitos contra o defensores da floresta.
Sonia ressalta que o dia 22 de abril (a data em que essa entrevista foi realizada) é muito importante para que a sociedade se conscientize sobre a causa dos povos que habitavam o Brasil antes do que ela chamou de a "invasão portuguesa", de acordo com a ativista.

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